Carro no Brasil é caro?

Carro no Brasil é caro, muito caro. Uma série de razões, desde de infraestrutura tributária à logística, passando pelo próprio comportamento do mercado, contribuem para esta realidade.

Só que outros fatores recentes pressionaram ainda mais a alta dos preços do mercado automotivo, alguns de natureza macroeconômica e outros com raízes industriais. Para se ter uma ideia, o segundo carro mais barato do país, o Fiat Mobi, segundo levantamento da KBB Brasil, teve reajuste de 16% nos últimos seis meses.

Então, entenda todos os aspectos que influenciam no preço dos automóveis no Brasil. E porque carro no Brasil é caro – muito caro.

Carga tributária

Para muitos economistas, é a principal razão para explicar porque o carro no Brasil é caro. O preço do veículo 0 km é composto de uma série de alíquotas. As principais são:

  • Imposto sobre Produto Industrializado (IPI): de 7% a 25%, conforme motorização
  • Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS): em média, 12% (varia conforme o estado)
  • Programa de Integração Social (PIS): 2%
  • Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins): 9,65%
  • Sem esquecer que, se o modelo for importado, ainda tem a alíquota de 35%.

Segundo especialistas, os impostos podem representar até 70% do valor de um automóvel. Isso porque ainda há o efeito cascata dos tributos e cobranças como Imposto Sobre Serviços (ISS) e Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que estão dentro da cadeia de fabricação e comercialização dos carros.

Carro no Brasil é caro? Falta de 0 km

O aumento assustador no preço dos carros em 2020 e 2021 também é reflexo da falta de insumos básicos nas fábricas. Segundo a Anfavea, 14 montadoras chegaram a parar as atividades industriais. Com isso, falta 0 km na concessionária e a lei mais básica do capitalismo, da oferta e da procura, contribui para o automóvel ficar mais caro.

O caso mais emblemático é o do Chevrolet Onix, que já perdeu o posto de carro mais vendido do país após três meses de paralisação da produção em Gravataí (RS). Outro exemplo de líder que sofre: a Fiat Strada está com fila de espera de mais de quatro meses. Honda, Renault, Toyota e Hyundai também já chegaram a suspender as atividades nas suas linhas de montagem devido à falta de matéria-prima.

Componentes importados

Mesmo um modelo compacto de entrada pode ter até 40% de itens importados em sua produção. E aí, meu amigo, com o dólar no patamar que chegou, não tem jeito. Essa conta obviamente será repassada para o comprador final.

A oscilação da moeda norte-americana, nesse caso, só piora a previsibilidade para compras e produção por parte dos fabricantes. Em janeiro de 2020, o dólar valia R$ 4,02. Na cotação de 7 de julho de 2021, fechou a R$ 5,26, mas nesse intervalo já esteve próximo dos R$ 6.

Carro no Brasil é caro? Logística

A complexa infraestrutura também é sempre apontada como uma vilã para explicar porque carro no Brasil é caro. Desembaraço nos portos, malha rodoviária ruim e burocracia estão entre as queixas mais recorrentes de grandes empresas.

É o tal custo Brasil, tão lamentado pelas indústrias. Entram nessa conta ainda a carga tributária já citada e a despesa logística elevada. Tudo isso é repassado ao preço final do veículo.

Falta peça

Os semicondutores se tornaram protagonistas neste imbróglio dos preços dos automóveis. Quer dizer, a falta deles. Devido à pandemia do novo coronavírus, esta peça está escassa nas indústrias, sobretudo no Brasil, já que as matrizes privilegiam outros mercados mais rentáveis.

Os semicondutores têm a função de conduzir correntes elétricas e servem de base para os chips usados em diversos produtos eletrônicos. Com as centrais eletrônicas dos carros cada vez mais complexas, a aplicação da peça aumentou consideravelmente nos veículos:  um modelo de entrada pode ter de 300 a 600 unidades da peça.

A escassez e irregularidade no fornecimento do componente afeta diretamente a produção dos automóveis. Só que, segundo a Anfavea, outras matérias-primas também estão com o fornecimento comprometido, como aço, borrachas, pneus e plásticos. Por isso, a paralisação na produção do Onix e em outras fábricas, e o efeito cascata: falta carro para vender e os preços sobem.

Carro no Brasil é caro? Commodities

O preço de muitas matérias-primas segue a cotação global. O aço, insumo básico e fundamental para a produção de veículos, é uma delas. Só no espaço de um ano (janeiro de 2020 a janeiro de 2021), a commodity subiu mais de 60%.

Outros itens também sofreram aumento no mesmo período, de acordo com levantamento feito pela Anfavea. As resinas e elastômeros usados pela indústria automotiva tiveram reajuste de 68%, os pneus aumentaram 16% e o alumínio, 13%.

Estoque de usados

O mercado de veículos usados é o que faz a grana das lojas girar. Com a falta de 0 km, muita gente está partindo para o seminovo e isso também forçou uma alta de preços deste segmento até maior que no de novos – dados da KBB apontam reajuste médio de 13% no primeiro semestre de 2021 para veículos com quatro a 10 anos de uso.

Mais uma vez, vem a “causa e efeito”: o carro seminovo fica pouco tempo no pátio e começa a faltar. Com isso, valoriza e consequentemente é mais uma contribuição “natural” para o aumento do preço do zero quilômetro.

Brasileiro compra

“Preço é a quantia que o consumidor está disposto a pagar”. Essa é a máxima mais verdadeira do capitalismo. Se o mercado cresce, mesmo que os reajustes sejam corriqueiros, para que segurar o aumento e comprometer as margens?

A verdade é que carro no brasil é caro, porém o consumidor compra.

Fonte: autossegredos.com.br

 
 
 
 
 
 
 

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